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Na pintura de um retrato exige-se
fidelidade na reprodução dos traços fisionômicos que
definem a pessoa retratada, pois não se vai pintar uma
figura qualquer, mas um rosto determinado. Além dos
aspectos fisionômicos, procuro traduzir, tanto quanto
possível, outros componentes da personalidade do modelo
- seu estado psicológico, suas emoções...
Quando
estou pintando um retrato ou algum outro tema de minha
predileção, procuro transmitir para a tela as diversas
manifestações vindas do subconsciente, sejam elas
agradáveis ou melancólicas. Não consigo expressar bem meus
sentimentos por outros meios que não seja a pintura. Louvo
pessoas como o grande pintor Iberê Camargo que dizia;
“Quando eu quero me ver livre, expressar tudo que tenho
dentro de mim, lanço o quadro e aparece a imagem. Mas a
imagem continua sendo um enigma outra vez. Pensamos que
tudo apareceu revelado, e de fato se revelou : está
visível, mas continua o enigma. Eu apenas objetivei em
forma o enigma que estava dentro. A interrogação continua.
E a resposta não foi dada.
A vida dói... Para mim o tempo de fazer perguntas passou.
Penso numa grande tela que se abre, que se oferece
intocada, virgem. A matéria também sonha. Procuro a alma
das coisas. Nos meus quadros o ontem se faz presente no
agora. A criação é um desdobramento contínuo, em uníssono
com a vida. O auto-retrato do pintor é pergunta que ele se
faz a si mesmo, e a resposta também é interrogação. A
verdade da obra de arte é a expressão que ela nos
transmite. Nada mais do que isso!”
Sinval Fonseca
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